Entrevista

10 de agosto de 2010   |   Imprimir este texto Imprimir este texto    |  Enviar por email Enviar por email  | 

Diplomata fala sobre o desafio de organizar a Casa do Trabalhador

phayashi
Hamamatsu


Acordo da previdência e questões trabalhistas já geram demanda no atendimento

O Primeiro-Secretário Paulo de Souza Amado, 47 anos, não é um novato no Japão. Já esteve à frente do Consulado-Geral de Nagoia entre 2002 e 2005 quando foi Cônsul-Adjunto. Nesse período estudou a língua japonesa com afinco conseguindo o certificado do nível 2 do Teste de Proficiência (Noryoku Shiken).

Ele também prestou o Teste de Aptidão de Ideogramas do Japão, mais conhecido como Kanji Kentei, que vai do nível 10 (o mais fácil) ao nível 1. Esse exame foi feito para os japoneses, e poucos estrangeiros fazem o teste. Paulo Amado conseguiu a aprovação no nível 4, que corresponde ao conhecimento de leitura de 13.00 kanjis e de escrita para  900 caracteres, equivalente a um aluno do segundo ano do ginásio (chugakko).

“Como já tinha conhecimento da língua turca, que aprendi quando servi na Embaixada de Ankara na Turquia, o aprendizado do japonês foi facilitado, pois ambas as  línguas são partes da mesma família linguística, a altaica”. explica o diplomata que é formado em Letras.

Mineiro de Belo Horizonte, Paulo Amado trabalhou como redator publicitário e já foi assessor do então prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias, antes de prestar o concurso para a carreira diplomática em 1996.

Convidado para organizar o Escritório Experimental da Casa do Trabalhador, o diplomata Paulo Amado já atuou no Consulado-Geral do Brasil em Nagoia, em Lima, no Peru, e acaba de ser transferido de Miami, nos Estados Unidos.

Ele também já serviu em Lima, no Perú e o seu último posto foi no Consulado-Geral de Miami nos Estados Unidos.

“Foi durante o evento Focus Brazil, um congresso de mídia e cultura realizado em Miami no mês de abril, que os Embaixadores Oto Agripino Maia e Eduardo Gradilone, da Subsecretaria Geral das Comunidades Brasileiras no Exterior fizeram o convite para que eu assumisse a coordenação do projeto experimental da Casa do Trabalhador do Japão”, conta ele.

Casa do Trabalhador inicia atuação como projeto experimental

O conhecimento da língua local e a experiência anterior no país foram fatores que ajudaram na escolha do diplomata para chefiar o escritório inaugurado no último dia 31, em Hamamatsu (Shizuoka), próximo ao Consulado-Geral do Brasil em Hamamatsu.

Sobre os motivos da criação do projeto experimental da Casa do Trabalhador e não da escolha de uma entidade local para administrá-la, o chefe da Casa diz que “o governo brasileiro teve a percepção da dificuldade de encontrar uma entidade local que tivesse um papel agregador para gerenciar a Casa, e resolveu assumir o projeto, pelo menos na fase experimental, que estava previsto para terminar em outubro, mas será estendido até dezembro”.

Ele faz uma ressalva: “Isso não quer dizer que a Casa não fará parcerias com entidades que fazem um trabalho sério na comunidade. A Casa está aberta  para propostas, basta nos procurar”, diz o Paulo Amado.

O diplomata fala que o acordo da previdência entre o Brasil e Japão já está gerando expectativas na comunidade. “Grande parte das ligações que recebemos diariamente são de dúvidas sobre o cálculo do valor da aposentadoria”, revela ele.

“Ainda não temos a resposta, porque o acordo ainda não foi ratificado pelos congressos dos dois países, e portanto, não existe uma norma técnica, que deverá sair após a ratificação prevista para o fim desse ano”, diz Paulo.

Mercado de trabalho no Brasil e no Japão

A Casa do Trabalhador terá futuramente atuação em todo o Japão. Atualmente cinco atendentes já recebem consultas presenciais ou por telefone. Mas uma página na internet está sendo preparada para fornecer informações em português e japonês.

“Nós não podemos fazer a intermediação de empregos, tarefa do Hello Work, órgão que nos tem dado muito apoio e com a qual temos boas relações. O foco da Casa será nas questões trabalhistas. Já temos inclusive advogados japoneses que dão consultas aqui” explica o Chefe Paulo.

A Casa disponibilizará também informações do mercado de trabalho brasileiro. Os atendentes já estão capacitados a prestar informações sobre as ocupações com as maiores demandas do Brasil, inclusive com as médias salariais. Publicações sobre a realidade brasileira estão disponíveis para os interessados.

Ele explica que no caso de brasileiros que pensam em retornar para país e possuem conhecimentos técnicos e experiência, por exemplo, como soldador, pode buscar através do sistema do ministério do Planejamento, as regiões do Brasil com maior demanda para esse tipo de profissional. “Isso pode até ajudar o brasileiro a escolher um curso de qualificação no Japão voltado para um novo trabalho no Brasil”, sugere Paulo Amado.

O atual responsável pelo escritório experimental revela que existe uma expectativa de que a Casa do Trabalhador possa preencher uma lacuna de interlocução com o governo japonês. “Temos várias associações e entidades, que cuidam dos brasileiros de forma local. Mas não tem uma associação que cuida do brasileiro em todo o Japão. E o governo local tem dificuldade de identificar quais são as associações idôneas e as que têm longo alcance. Nosso objetivo é fazer uma ponte entre os diversos interlocutores, seja ele o trabalhador, o governo japonês ou o brasileiro”, garante.

Serviço

Escritório Experimental da Casa do Trabalhador Brasileiro no Japão

Endereço: 〒430-0916 Shizuoka-ken, Hamamatsu-shi, Motoshiro-cho, 115-1 – Sumitomo Seimei Building 5º andar (em frente à Prefeitura de Hamamatsu e próximo ao Consulado-Geral do Brasil em Hamamatsu)

Horário de funcionamento: Segunda à Sexta: das 8h30 às 17h / Sábado: das 8h30 às 15h

Informações: 053-450-7220

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Comentários

  1. mestiso disse:

    bom seria embaixada brasileira ensinar japones pros dekaseguis, a embaixada japonesa no BR ensina japones aos brasileiros,atraves da fundaçao Japao,bunkyo,kenren e aliança BR JP,nihgongakos.

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