Educação, Especial

20 de março de 2010   |   Imprimir este texto Imprimir este texto    |  Enviar por email Enviar por email  | 

Brasileiros no Japão querem a reforma da língua portuguesa

Portal Web News
Reportagem e fotos: Eder Hashizume - Oizumi


Especialistas dizem não

Ad judicia, ad-negocia, pacto antenupcial, evicção re-ratificação, outorgante e outorgado são alguns dos termos técnicos usados no meio judicial brasileiro contidos em documentações e legalizações de difícil compreensão. No Japão, já pensaram em fazer uma “reforma”, suprimindo boa parte dessas palavras e substituindo por outras. Nessa reportagem, leia o que a comunidade brasileira no Arquipélago pensa sobre essa questão polêmica.  

“Tem palavras que só os tabeliões entendem”, alega o brasileiro Paulo Neto.

Nos consulados itinerantes, prestação de serviços públicos aos brasileiros residentes no Japão, é possível encontrar várias pessoas a favor da “reforma” nos textos de diversos documentos emitidos pelo órgão brasileiro. Muitas dessas pessoas, após vários anos no Japão, acabaram perdendo a prática de interpretar algumas palavras, principalmente de termos jurídicos, que normalmente são usados nos textos de procurações.

Paulo Neto, de Isesaki (Gunma), é um entre vários a favor das mudanças. Para ele, algumas palavras caíram em desuso. “Tem muitas palavras antigas que só os tabeliões sabem o significado. Por isso, se a uma iniciativa assim fosse levada adiante teria meu apoio”, defendeu o brasileiro.

A maioria pensa na comodidade mais que na depreciação da língua portuguesa. “Se for para facilitar, não vejo motivos para ficar contra”, disse Maria da Glória Souza Wajima, de Honjo (Saitama). Outro motivo apontado por ela é a falta de contato com a língua materna. “Estou aqui no Japão há 17 anos e esqueci o significado de muitas palavras. Creio que esse é a motivação de muitos a favor da mudança”, disse.

Funcionários conferem documentações com a ajuda de dicionários e esclarecimentos ao público.

Muitos já pensam na efetivação das mudanças e apontam diretrizes para essa “reforma” na língua portuguesa falada e escrita no Japão. “Penso que o conteúdo escrito nos documentos deve ser claro e objetivo, de tal maneira que todas as partes envolvidas fiquem esclarecidas”, opinou Sandra Hisada, de Kamisato (Saitama).

Mas, enquanto essa “reforma” ou quase “revolução” que os brasileiros no Japão querem na língua portuguesa, os funcionários das representações governamentais do Brasil e que atuam nos consulados itinerantes têm ido além do trabalho de montagem de um texto jurídico. Eles também esclarecem o público sobre o conteúdo, usando dicionários de termos jurídicos ou deixando a pessoa lendo o conteúdo do texto até a sua compreensão total.

Educadores são contra mudanças

Praticamente, os professores de língua portuguesa que atuam no Japão e que opinaram sobre o assunto, disseram que são contra a “reforma”. A pedagoga Maria Eloyza Centeno, de Oizumi (Gunma), também não é favorável e aponta uma solução interessante: popularizar as chamadas palavras jurídicas através de uma ampla divulgação.

A pedagoga Maria Eloyza Centeno ensinando a língua portuguesa para aluno brasileiro: o ideal é popularizar o vocabulário jurídico.

“Ao invés de simplesmente trocá-los, os órgãos públicos do Brasil no Japão poderiam disponibilizar uma página nos sites explicando os termos jurídicos usados nos documentos”, disse a educadora. “Nos consulados itinerantes, cartazes que contenham essas palavras poderiam fazer essa mesma função, ajudando na popularização dessas palavras”.

Ela apontou que o desuso de termos jurídicos poderia facilitar a vida dos brasileiros no Japão. Mas não seria uma solução efetiva. “Os brasileiros irão se deparar com essas palavras em outras ocasiões. Ou seja, se resolveria momentaneamente, mas seria prejudicial mais tarde”, afirmou Centeno.

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Comentários

  1. mestiso disse:

    acho mais importante a reforma (troca) nos politicos no BR.

  2. Josue Fagundes disse:

    Com certeza isso facilitaria nossa vida aqui mas eu acho que a reforma seria mais polêmica se fosse implantada de uma vez por todas e não ficasse só nas reportagens

  3. mestiso disse:

    ex dekaseguis estao voltando pro JP

  4. Ana disse:

    Colocar os bois na frente da carroca,nao adianta nada.Popularizar,ensinar termos dificeis pra gente que mal consegue fazer uma interpretacao de texto,eh perda de tempo.Quem sabe portugues mesmo,soh de ler ,ateh consegue”deduzir” o que essas palavras significam.Mas,eh sempre bom saber o significado de tudo!

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