Um dia desses, durante uma palestra, perguntei a uma platéia repleta de jovens profissionais qual era a maior aspiração deles. Um rapaz levantou a mão e respondeu: “Ser competitivo no mercado”. Em seguida uma moça acenou e disse: “Ser competitiva no mercado”. Em vários pontos da platéia, vi pessoas moverem a cabeça como se dissessem “é isso mesmo”, o que dava a entender que aspiravam a mesma coisa.
Pois é. Nesses tempos de economia globalizada e altamente disputada, todo mundo quer ser competitivo para garantir o seu lugar. Hoje, o profissional que tem diploma universitário e inglês fluente se sente como um carro básico, que sai da fábrica sem acessórios. E o que todos querem é ser um carro superequipado – ter curso universitário, MBA, pós graduação, inglês, espanhol e o maior número possível de cursos de aprimoramento profissional. Isso sem falar na necessidade de estar em dia com as informações do mercado e ter que ficar de olho em jornais, revistas, livros, sites de internet, televisão…
Concordo que é importante investir no desenvolvimento profissional, estar bem informado e atualizado. Só não acho que devemos fazer isso simplesmente para “ser mais competitivos no mercado”.
A tendência da pessoa que só pensa em competir é se comparar aos outros e, no mínimo, achar que tem de fazer o que eles estão fazendo para ter as mesmas condições de competição. Mas aí ela incorre em dois problemas. Um é o de se pasteurizar, se tornar commodity. Competir faz a pessoa tentar se igualar aos outros, adotando um referencial externo de como ser, que conhecimentos precisa ter e como deve agir. Mas e a diferenciação, uma qualidade tão importante e apreciada no profissional moderno, como fica? “Basta fazer mais que os outros para se diferenciar”, é o que muitos pensam. Mas aí eles incorrem no segundo problema: o de investir em cursos, qualificações e capacitações sem sequer questionar se é isso que querem para si mesmos.
Se o profissional que orienta a carreira para ser competitivo está sujeito a acumular conhecimento e informação mais para não ficar para trás do que para se enriquecer, imagine o que deseja se destacar. Esse é capaz de empregar seu já escasso tempo num curso que não lhe agregará nada de prático, só para ter mais um item na lista de qualificações de seu currículo.
Sinceramente, acho que o profissional cresce muito mais se, em vez de visar a competitividade, visar o alto desempenho. Quem está preocupado em desempenhar da melhor maneira o seu trabalho olha para dentro de si mesmo – e não para fora – e se questiona: “Do que eu realmente preciso? Que informações e competências realmente agregarão eficiência à forma como faço meu trabalho? Que benefício isso me trará?”
O conhecimento mais importante que você pode ter é sobre si mesmo. Em primeiro lugar, precisa ter bem claro o que é relevante para você e o que tem a ver com você. Conhecendo a si mesmo, saberá os pontos fracos que precisa suprir – ou às vezes até aceitar , pois é humanamente impossível ser bom em tudo. Por que não “terceirizar” aquilo que você não faz bem? O autoconhecimento também traz clareza sobre seus pontos fortes, no que você pode se aperfeiçoar ou o que deve desenvolver para ser um profissional mais completo. Isso tudo permite a você ter um alto desempenho, o que o mercado valoriza acima de tudo.
O desejo de competir fará você ser mais um entre os iguais. O de desempenhar fará você ser você mesmo, e é aí que está a grande diferença, fazer a diferença . Ser o carro superequipado pode chamar muita atenção, mas é o carro preparado para correr que tem bom desempenho na pista.























como o nordeste vai conseguir competir com o sudeste do BR?