
Grupos de pesquisa apresentaram ontem o relatório de pesquisa sobre a educação dos brasileiros no ano de 2009 e o processo de 4 escolas piloto no reconhecimento como escola miscelânea.
A questão levantada pelo professor associado da Universidade de Tokai, Daisuke Onuki, gerou dúvidas e até contestações entre o público presente no seminário de apresentação da pesquisa sobre a educação dos estrangeiros em 2009, subsidiada pelo Ministério da Educação, Ciência e Cultura do Japão.
Mais uma vez abordada como pauta de encontro entre brasileiros e japoneses, o tema reuniu ontem (13) cerca de 200 pessoas na Universidade Shukutoku de Aichi, para discutir, não só o futuro da educação, mas principalmente o presente e o que pode ser feito para mudar o cenário atual.
O objetivo do encontro foi apresentar dados levantados por pesquisadores, que acompanharam o processo de reconhecimento como escola miscelânea de quatro instituições de ensino voltadas para brasileiros.
Foram adotadas como alvos da pesquisa as escolas: Instituto Educacional Centro Nippo-Brasileiro, de Oizumi (Gunma), Escola Alegria de Saber, de Toyohashi, Hekinan e Toyota (Aichi), de Suzuka (Mie) e Hamamatsu (Shizuoka); Colégio Latino de Shiga, de Omihachiman (Shiga); e Colégio Isaac Newton, de Minokamo (Gifu).
As dificuldades, dúvidas e necessidades no processo de homologação dessas escolas estão registradas no material elaborado pelo grupo de pesquisa – do qual fizeram parte japoneses e brasileiros – e entregue ao público presente no seminário.
O relatório bilíngue (japonês/português) também traz modelos de formulários, listas de documentos e detalhes do sistema de homologação das escolas como miscelânea (kakushu gakko) ou semi-entidade jurídica (jun gakko).
Durante o debate coordenado por Yasuhide Nakamura, professor da Universidade de Osaka, os pesquisadores e pessoas ligadas à educação dos estrangeiros concordaram que receber o reconhecimento das províncias como entidade de ensino, e não como empresas, é para a comunidade brasileira, uma grande conquista. Mas ressaltaram a importância de ir além disso.
“Tornar-se miscelânea não garante que a escola está estabilizada. Muitas escolas que já tem esse reconhecimento estão preocupadas se terão condições de dar continuidade ao trabalho no ano que vem”, apontou a pesquisadora e professora associada da Universidade para Mulheres de Konan, Lilian Hatano.
Com questões levantadas pelo público, que cobrou maior participação dos governos brasileiro e japonês na questão da educação, o grupo de debate encerrou a apresentação do primeiro relatório – estão previstas mais três pesquisas na área – sobre a educação dos brasileiros.
O material sobre a homologação das escolas, entregue ontem ao público, estará disponível na internet a partir do dia primeiro de abril, no site do Conselho de Autoridades Regionais para Relações Internacionais (CLAIR) em formato word.
Confira parte dos depoimentos dos participantes da mesa de debates.

Daisuke Onuki, professor associado da Universidade Tokai
“Tornar-se miscelânea é uma grande conquista sim. Porém é preciso questionar se isso é o melhor para as escolas brasileiras, pois os direitos conquistados não proporcionam estabilidade na gestão dessas entidades. O Japão levanta a bandeira de “Educação para todos” em países pobres do mundo, mas até quando vai fingir não ver crianças que não têm acesso aos estudos dentro do próprio país?”.

Patrícia Côrtes, primeira-secretária e chefe do setor de Comunidade da Embaixada do Brasil em Tóquio.
“A embaixada do Brasil em Tóquio não é o órgão responsável pela educação dos brasileiros e sim, o Ministério da Educação. Nós não podemos simplesmente interferir no sistema escolar e mudar as regras atuais. Mas a questão do ENEN (Exame Nacional do Ensino Médio) no Japão e a questão da fiscalização estão sendo verificadas. Inclusive um funcionário do Consulad-Geral do Brasil em Nagoia fará um treinamento no MEC para acompanhar a educação dos brasileiros no Japão”.

Lilian Terumi Hatano, professora associada da Universidade para Mulheres de Konan.
“O tema da educação é particularmente complicado para brasileiros. Muitos ainda não sabem se querem ficar, ou se querem retornar para o Brasil. Por que não criar escolas bilíngues? Nós temos provas de que é possível ter sucesso no Japão. É o caso do brasileiro Marcelo Watanabe, que fala fluentemente o japonês e o português, tem uma profissão e sucesso na carreira. Não podemos deixar que esses sejam casos raros na nossa comunidade”.

Kumihiko Hayashi, chefe da Secretaria de Educação de Minokamo (Gifu)
“Que estímulos têm uma criança brasileira para estudar, para terminar o Ensino Ginasial (Chugakko) se ela sabe que não conseguirá ser aprovada no teste para o Ensino Médio japonês (Kokogakko)? Essas crianças precisam saber que há um caminho para seguir. E isso quem tem que garantir é o sistema educacional japonês, é a família e também as escolas brasileiras, que tem que oferecer boa qualidade de ensino da língua local, para que seus alunos possam optar por uma profissão no Japão”.

Kazushige Mori, representante da NPO ABIC (sigla em inglês de Ações para uma Comunidade Internacional Melhor).
“Os alunos de hoje, se bem instruídos e guiados, poderão ser a ligação do Japão com o Brasil e por que não do Japão com o mundo? Eles dominarão pelo menos duas línguas e talvez três, se incluirmos o ensino do inglês, e terão papel fundamental nas relações comerciais e culturais com outros países. Mas para isso é preciso investir hoje. O processo para se tornar miscelânea é o primeiro passo, mas há questões tão ou mais urgentes a serem resolvidas dentro das escolas brasileiras”.






















Sou professora primária, já trabalhei em escola brasileira e leciono autonomamente aulas particulares de português na região de Minokamo/Kani há sete anos.
No Brasil não há colégios japoneses para descendentes de japoneses juntamente com o ensino mínimo da língua portuguesa.
Por que, pergunto eu, brasileiros que tem um orçamento exorbitante ( cada criança brasileria paga no minimo 40.000 para ficar período integral na instiuição) com mensalidades da educação estrangeira aqui, quereriam uma ajuda do governo japonês?
Escolas brasileiras ganharam muito dinheiro no tempo que o Japão não conhecia a palavra ¨ crise econônomica¨, porque fazer do governo japonês o salvador ?
Os brasileiros que estão no Japão devem aprender o idioma do país onde vivem e se lhes interessarem, paguem cursos para saberem a língua nativa.
Assim o é no mundo todo. O Japão não deve pagar por ser um governo rico, e por tentar ajudar a recolocar os que estão desempregados no merdado de trabalho, e com isso surgir um ramo de empresários donos de escolas particulares a não falir.
Leio frequentemente jornais e muitos filhos de americanos, ingleses e argentinos estão inseridos na escola publica japonesa, levando uma vida normal como qualquer outra criança japoensa e em suas casas ou com professores particulares, aprendem a língua nativa. Por que com brasileiros é diferente?
Não há menor dúvida de que se aqui se mora, aqui se tem que aprender o idioma! Se quiser aprender inglês não teria por acaso que pagar um curso de idioma uma hora por semana?
O projeto do governo japonês ¨ Arco – Íris ¨ de nome japonês ¨ kakehashi no niji¨ é a melhor forma de ajuda aos brasileiros que não sabem falar o português: duas, três ou quatro vezes por semana as crianças frequentam, de graça, aulas com professores brasileiros, durante uma hora.
Essas crianças conseguem falar fluente o idioma japonês porque estudam numa escola japonesa, e frequentam aulas de português no final do dia.
Pronto! Não há necessidade de incharmos mais o cabide de pessoas que desempenham um ensino ineficaz, e as crianças, que realmente interessam, sejam desculpa para um mercado ilícito.
Insituições brasileiras não desempenham papéis rigorosos de educação aqui no Japão.
Primeiro porque as crainças não tem noção da geografia e história do Brasil aqui; segundo que nenhuma escola, creio eu, tenha um laboratório para estudos de química e física; terceiro que a maioria das escolas brasileiras contratam professores que não são habilitados na área em que realemente se formaram; quarto e último, não há um controle sobre o trabalho exercidos por essas escolas, então, cada uma regula seus interesses da forma como quer.
Então o que se aprende na escola brasileira é só teoria, porque não estamos no Brasil, estamos no Japão.
Obrigada pela oportunidade
Concordo plenamente com a Maria Angela.
Quando leio notícias e debates sobre a educação das crianças brasileiras aqui no Japão, eu também fico me perguntando o porquê seria problema do Governo Japonês, resolver os erros que os pais pais dessas crianças cometem?
Eu acho um disparate ouvir pais se queixando do Governo Japonês, acusando-o de falhas e descasos em relação às crianças Brasileiras, pelo motivo de não incrementarem aulas de português nas escolas Japonesas para que seus filhos possam frenquentar ou usar o “ijime” como justificativas para não colocarem em escolas Japonesas.
Como se no Brasil, temos a opção de aprender a língua dos nossos antepassados dentro das escolas públicas e que estas escolas são insentas de “ijime”.
Essa imagem de Brasileiros coitadinhos no Japão já está cansando. Não é somente do Governo que se tem de cobrar atitudes, mas dos próprios Brasileiros para se definirem o que querem de suas vidas e do futuro de seus filhos.
No Brasil eu frequentei escolas públicas Brasileiras para a minha educação e escolas particulares Japonesas para a alfabetização e conhecimentos culturais. Aqui no Japão os meus filhos fazem o inverso, estudam em escolas Japonesas públicas e frequentam aulas particulares para o aprendizado do idioma português… então o porquê de acusar o Governo Japonês de descaso com as crianças Brasileiras e cobrar do Governo medidas e responsabilidades que cabem mais aos próprios pais dessas crianças.
Essa história de acusar o Governo Japonês de descaso e racismo em tudo já está virando clichê nas bocas de muita gente que querem distância de responsabilidades e obrigações, não querendo nada com nada a não ser tirar vantagem em tudo ao virar “coitadinhos discriminados” ou “dekasseguis indecisos”.
Na minha opinião, essas escolas “bilíngues” que querem criar, só vai aumentar o número de dekasseguis indecisos e acomodados… os eternamente “temporários”, que deixam seus filhos numa situação de um futuro incerto, dando a eles a herança em permanecerem iguais seus pais, sem saber se investem em um futuro aqui ou lá no Brasil.
Concordo plenamente com a duas de cima. Ainda não tenho filhos, mas se tiver, certamente estudarão em escola pública ou particular japonesa. Independente de voltar ou não ao Brasil, vivemos e trabalhamos aqui. Uma vez que estamos aqui, eles terão que viver uma vida social como japoneses. Prefiro que os meus filhos falem e escrevam bem o japonês do que se tornarem ‘semilingues’…termo frequentemente utilizado atualmente para designar crianças que não dominam o portugues e nem mesmo o japonês.
Por q as criancas nao vao as escolas japonesas,e depois,em vez de ir a “Jukus” frequentam 2 horas de escola brasileiras?
Quando estava no Brasil,muitos descendentes de Japoneses faziam isso,
Acho tao simples,,,
Em 1999 escrevi para um jornal da comunidade dizendo que as escola brasileiras estavam funcionando como “depósito de crianças” em vez de serem instituições de ensino. Naquela época a grande maioria dos pais deixavam seus filhos nas escolas até tarde da noite para fazerem horas extras e nunca se preocupavam com a qualidade e o conteúdo das matérias. Os que cedo em casa chegavam, ficavam sozinhos, pois os pais estavam trabalhando. Essa era a rotina dos dekasseguis brasileiros.
Passados tantos anos, percebo que a irresponsabilidade com a educação continua. Parece que hoje em dia, além de continuarem como depósitos de crianças, as escolas viraram estabelecimentos comerciais com fins lucrativos e continuam pouco se importando com o futuro dos pequenos. A ganância por parte dos pseudo-educadores e a pobreza espiritual dos pais se completaram, dando origem às crianças sem rumos e futuro incerto.
Será que eles querem que os seus filhos vivam as mesmas agruras que eles? Será que não percebem que um dos únicos meios honestos de ascensão social é o estudo? Será que perpetuar a ignorância dará aos meninos um futuro melhor?
O Governo japonês não deve arcar com a incompetência dos dekasseguis brasileiros, que nunca se interessaram pelo tema Educação. Os atravessadores (empreiteiras) ganharam rios de dinheiro utilizando a mão de obra quase escrava dos pais, mas nunca investiram um centavo no bem estar dos filhos. Toda essa conversa sobre a educação das crianças brasileiras me cheira a oportunismo, a hipocrisia, a demagogia.
O Brasil continua sendo o país do samba, futebol e caranval.
Concordo com todos, eu sempre achei que as escolas brasileiras no Japão surgiram, apenas para ganhar dinheiro de alguns pais sem muita cultura e apenas preocupados com suas horas extras.Pra mim além destas escolas que no meu ponto de vista não educam, falo por que tenho conhecimento de crianças que por lá passaram e não aprederam nada, lá se aprendem apenas a malandragem acho que seus formadores ou não são formados ou compraram seus diplomas por que o nível destas crianças é muito baixo. Estou dizendo isto por que atualmente trabalho neste projeto do governo japones e conheço crianças que sairam destas escola, e o nível destas crianças é de assustar, comecei a pensar estas escolas ganharam tanto dinheiro e teria que no minimo educar estas crianças e nem isto elas fizeram, agora vem com este papo pra boi dormir, que estão preocupados com o futuro destas crianças tudo mentira eles estão é preocupado com o dinheiro que vão deixar de ganhar, o governo japones é muito bom e no meu ponto de vista até um pouco ingenuo. Como disse trabalho neste projeto e ele tem o objetivo de fazer com que as crianças consigam frequentar as escolas públicas japonesas sem muito choque, lá são ministradas aulas de japones, portugues, matematica etc… mas o mais importante é que ela quer fazer a integração da criança com a escola japonesa por que muitas crianças perdem o interesse pela escola japonesa por que não entende o que esta sendo falado em aula por isso, começam a não frequentar mais as aulas, Na cidade que moro existe duas unidades desta escola que se chama AQUARELA, eles sim estão preocupados com o futuro destas crianças. O projeto tambem esta preocupado com as crianças que não falam portugues por isso criou uma escola aos sabados para crianças que frequentam escolas japonesas as aulas são de alfabetização, uma coisa que deixei de mencionar tudo é gratuíto quem paga é uma organização internacional com ajuda do governo.
Na minha opinião estas escolas brasileiras podem fechar, que não vão fazer falta.
Concordo com a maioria!! Estou há 21 anos no Japão, meus filhos têm 17 e 15 anos, e por essa razão, posso dizer que trilhei por todo esse caminho de conflito e desilusão que todos os pais passaram nesse período. Na época, a minha preocupação em colocar os meus filhos em escola brasileira estava em primeiro lugar, pois havia chegado a idade escolar. Mas, como moro no interior, não havia nenhuma opção de escolha e acabei colocando na escola japonesa. Hoje, não me arrependendo da escolha que fiz, porque o coerente foi infiltrá-los dentro de uma educação justa e fiel, para que eles possam viver livremente e de acordo com a cultura e costumes japoneses, Por outro lado, os alfabetizei em português, e hoje eles falam fluentemente as duas línguas. Como mencionaram acima, infelizmente as escolas brasileiras surgiram apenas para cuidar das crianças, enquanto os pais trabalhavam, se esquecendo da educação em si. E, como era cômodo para os pais deixar os filhos em creches, o número de crianças foi crescendo a ponto de se sentirem na necessidade de “ensinar” as crianças a ler e escrever, mas sem nenhuma base ou estrutura para isso. Hoje, muitos brasileiros optam em colocar os filhos em escolas japonesas, porque o que as escolas brasileiras estão colhendo hoje, são consequências do que plantaram lá atrás. Eu, como professora atuante há 7 anos, vejo que o problema persiste, pois o ensino com qualidade nunca houve! Felizmente, com a oportunidade que a UFMT, com a parceria da Universidade de Tokai está oferecendo de formar professores na área de Pedagogia, está me fazendo ver o quanto está tudo errado!!!!! Tento inserir tudo que estou aprendendo nas Escolas, mas o professor aqui só é bom, quando está fazendo limpeza e lavando pratos. Pois é…..vou lutando até onde der….