Proprietária de escola busca subsídio do governo para trazer crianças para sala de aula
Desde o início da crise econômica no Japão, um setor bastante afetado pela falta de empregos dos brasileiros vem tentando diversos artifícios para não fechar as portas.
Escolas brasileiras que atuam no país oferecendo educação a filhos de decasseguis, vivenciaram a gradativa redução de alunos. Alguns retornaram para o Brasil, outros foram transferidos para escolas públicas japonesas e uma minoria, deixou de ter acesso a educação, desfalcando o caixa de muitas escolas.
Com foco na captação de crianças e adolescentes que não frequentam nenhuma instituição educacional, assim como para oferecer orientação para os que já cursam ou querem cursar escolas japonesas, o Centro Educacional Novo Damasco, localizado na cidade de Ueda (Nagano) inscreveu-se no programa de ajuda do governo japonês que subsidia aulas de reforço, chamado de Ueda Yume no Kakehashi Gakko (traduzido como Escola para a realização dos sonhos de Ueda).
Desde o dia 13 de janeiro, cerca de 30 crianças de até 15 anos da região de Ueda assistem a aulas oferecidas nas salas do Novo Damasco. Não há mensalidade ou taxa de participação. A escola, que já teve mais de 120 alunos, hoje tem pouco mais de 20 e não poderia oferecer o ensino, não fosse pela ajuda que passou a receber do governo através do projeto.
Cecília Kazuko Taquemura, mantenedora da escola, explica que desde o início da crise, as mensalidades escolares – as que recebe integralmente, pois muitos pais não conseguem pagá-las – já não têm sido suficientes para manter a escola, que nasceu da necessidade sentida pela comunidade local e pelos funcionários da empreiteira Takemura, da qual também é mantenedora.
E exatamente por ter nascido dessa necessidade é que a proprietária prepara crianças em sua escola para que estas possam ingressar mais tranquilamente em escolas japonesas. “Não fechamos as portas porque ainda existem crianças querendo estudar, mas a partir do momento que elas não sentirem mais essa necessidade, não há sentido em mantermos a escola aberta”, garante Cecília.
Muitas crianças que frequentam o curso são ex-alunos do Novo Damasco e estudam para ingressar no Ensino Médio (Kookoo gakko) e têm aulas de matemática, ciências, cultura, entre outras disciplinas exigidas no teste de aceitação. “Muitos adolescentes estavam em casa, sem ir à escola alguma já que, por entrar num nível mais avançado de acordo com a idade, não conseguiam acompanhar a turma e desistiram de estudar”, explica a professora.
Na turma dos que se preparam para o Ensino Médio, também encontram-se chineses, peruanos e bolivianos com dificuldades na língua japonesa.
Outros alunos, que por falta de condições financeiras estavam fora das escolas, mas querem continuar os estudos da língua portuguesa, também acompanham o curso, oferecido por professores brasileiros, além das aulas de japonês.
Projeto beneficia alunos, escola brasileira e comunidade
“O projeto proíbe a atividade com fins lucrativos e para a escola não é rentável, mas já que temos o espaço, porque não oferecer alguma atividade para as crianças? Se as famílias realmente determinaram que querem ficar no Japão, é da nossa conta que estimulemos que esses jovens estudem. Porque nós também decidimos ficar e vamos viver o futuro com eles”, sugere a proprietária.
Ela explica que, além do aprendizado da língua japonesa como uma ferramenta para a sobrevivência da criança no Japão, o intercâmbio com a comunidade local poderá ser melhor explorado pelos alunos, que no dia a dia não encontram muita abertura para a tão falada “convivência multicultural”.
O projeto foi apresentado ao Departamento de Convivência Multicultural (Tabuka Kyousei ka) através da prefeitura de Ueda no final de 2009. Cecília conta que o processo é bastante burocrático e que é imprescindível o domínio do idioma japonês para poder passar por todos os requisitos. Após aprovado, a escola passou a receber subsídios para custear contas de luz, água, gastos com salários dos professores e material didático do curso.
A primeira turma, que deve frequentar o curso até o mês de março, está fechada, mas pais interessados em matricular seus filhos podem adquirir mais detalhes sobre o calendário do projeto de reforço na escola Novo Damasco (026-836-0032).






















Muito interessante a matéria, moro no Brasil e gostaria muito de ter o contato da Sra. Cecília Kazuko Takemura. Poderiam fazer a genteileza de conseguir o contato dela. Agradeço desde de Já! E parabéns pelo conteúdo da matéria!
Gostaria de entrar em contato com a Sra. Cecilia kazuko Takemura
Att. Carlos Tomita