O primeiro seminário esclareceu dúvidas do atual mercado de trabalho
No último sábado (9), a ONG (Organização Não Governamental) Grupo Torcida, juntamente com representantes do Projeto Yumeiku e o Departamento de Trabalho e Indústria da Prefeitura de Toyota (Aichi), realizaram o primeiro seminário de colocação profissional para estrangeiros.
“O objetivo é trazer informação do mercado de trabalho para quem decidiu ficar no Japão, apesar da crise”, explicou Ushio Hamada, do projeto Yumeiku, que oferece suporte para filhos de estrangeiros na área de educação em Toyota. Segundo ele, o trabalho é essencial para poder viver no país, mas é preciso pensar além desse contexto de conseguir dinheiro.
“É importante que as pessoas gostem do Japão e dos japoneses e descubram as coisas boas do país que escolheu para criarem suas famílias”, afirmou Hamada.

"As vagas em autopeças diminuíram cerca de 60%. É preciso partir para outros setores, como o de prestação de serviços, que tem carência de mão de obra", explicou Minoru Koike
O primeiro convidado, Minoru Koike, Presidente da Associação Nipo-brasileira de Toyota (Anbrt) e Presidente da empreiteira que atua na cidade de Kariya, Bell Tech, ofereceu dicas de como buscar ofertas de trabalho na área de serviços e falou sobre os requisitos, cada vez mais exigentes, do mercado de trabalho atual.
“No momento, a opção é a área de prestação de serviços. Que foi o setor que menos apresentou queda de novas vagas. Mas muitos recusam o trabalho pois comparam os salários com os das fábricas de autopeças, onde chegaram a ganhar ¥350 mil (US$ 3,7 mil) por mês”, explicou Koike. Ele estima que a renda dos estrangeiros tenha caído em média, de 30% a 40% se comparado com 2007.
Além de correr contra o tempo para aprender japonês, o empresário garante que é preciso obter certificados, independente da área de atuação.
Quem roubou a cena no final do seminário, foi o nepalês, Neupane Sipares, que explicou, em japonês, que vive a dez anos no Japão, já trabalhou como tradutor, mas está desempregado há um ano e tem feito somente uma refeição diária para poder economizar o que ganha com trabalhos temporários.
“Eu posso começar a estudar agora, mas quanto tempo vou demorar para aprender a ler todos os kanjis (ideogramas)? Quanto tempo ficaremos em situação de pobreza até aprender a ler e escrever todos os ideogramas para poder trabalhar?”, questionou o Sipares.
Ele pediu ainda, que associações, como a Anbrt, possam solicitar junto ao governo japonês a criação de mais locais onde estrangeiros possam conseguir informações e oferecer sugestões. “Por trás dessa imagem de subarashii (belo) o Japão é o país do consumo”, advertiu o nepalês.
Brasileiros presentes também deram suas opiniões sobre o que vivenciam no mercado de trabalho e explicaram sobre as dificuldades que enfrentam no dia a dia. Representantes das associações presentes recolheram sugestões e dúvidas e disseram que o objetivo, até o final do projeto, é que grande parte das pessoas possam lidar melhor com essas dificuldades.
Confira as datas dos próximos seminários:
- 17 de janeiro
“Tendência das ofertas de trabalho – novas formas de buscar emprego”.
- 30 de janeiro
“Novas formas de trabalho – sistema de trabalho de assistência de idosos”
- 14 de fevereiro
“Aprendendo as regras para o trabalho”
- 21 de fevereiro
“Patrimônio humano das empresas”
Horário: 14h às 16h
Local: Toyota Shimin Katsudo Center (T-face Prédio A – 9º andar) – Estacionamento gratuito por três horas.
Taxa de participação: gratuita
Inscrição: NPO Torcida 080-3283-2395 (Daves – em português)
Relação dos palestrantes e mais informações: www.city.toyota.aichi.jp/division/ag00/ag01/1205505_7126.html














