Esse é o primeiro europeu a receber a pena de morte em quase 60 anos
![091230_efe 1229_[China ignora]01-2778206w A ONG que acompanha o caso afirmou que Shaikh tinha sido enganado por um grupo de pessoas que tinham prometido transformá-lo em uma estrela do pop.](http://portalwebnews.com/wp-content/uploads/2009/12/091230_efe-1229_China-ignora01-2778206w.jpg)
A ONG que acompanha o caso afirmou que Shaikh tinha sido enganado por um grupo de pessoas que tinham prometido transformá-lo em uma estrela do pop.
Shaikh foi executado ontem através de injeção letal às 10h30 na cidade de Urumqi, um dia depois de ser informado da pena.
O fato foi condenado pelo Governo britânico, que, em comunicado assinado pelo primeiro ministro Gordon Brown, manifestou “horror” pela execução e pelo fato de que Pequim tenha ignorado os pedidos de clemência de Londres.
A defesa de Shaikh argumentava que ele tinha transtorno bipolar e foi enganado por outras pessoas para levar a droga à China, mas a Justiça do país asiático sustentou que os exames médicos não tinham mostrado nenhum problema psicológico.
A lei chinesa prevê a pena de morte para as pessoas que forem detidas com mais de 50 gramas de um entorpecente.
Shaikh foi julgado “de acordo com as leis chinesas” e seus direitos foram “completamente protegidos”, disse hoje, em entrevista coletiva, a porta-voz de Assuntos Exteriores chinesa, Jiang Yu.
Jiang também lamentou as palavras de condenação do primeiro-ministro do Reino Unido e disse que a China “expressa seu forte desgosto pelas acusações de Brown” e “não admite interferências em seu sistema judiciário”.
A porta-voz disse que Pequim espera que a polêmica “não crie obstáculos nas relações entre a China e o Reino Unido”, e pediu que Londres “trate o caso com clareza” e ressaltou que a execução “não tem a ver com outros assuntos”.
Shaikh, de família paquistanesa e religião muçulmana, foi detido em 12 de setembro de 2007 com drogas no aeroporto de Urumqi, aonde chegou procedente de Dushanbe (capital do Tadjiquistão).
Ele foi condenado à morte em 29 de outubro de 2008 pelo tribunal de Urumqi, apelou duas vezes – sem sucesso – e, em 21 de dezembro deste ano, a pena máxima foi ratificada pela Corte Suprema.
Nas horas antes da execução, o site da ONG Reprieve apresentou “novas evidências” dos problemas mentais de Shaikh, que aparentemente tinha vivido como sem-teto na Polônia – país de sua esposa – e escreveu músicas onde certas expressões ou frases sem sentido apareciam de forma doentia.
O último europeu que havia recebido pena de morte na China do que se tem notícia foi o italiano Antonio Riva, veterano militar executado em Pequim, em 17 de agosto de 1951, junto ao japonês Ruichi Yamaguchi, acusados de terem armado um complô para assassinar o líder chinês Mao Tsé-tung.
Pena de morte na China
A China é o país que dita mais penas de morte no mundo e acumula mais de 70% do total mundial – mais de 1,7 mil em 2008, segundo Anistia Internacional. Mas a ONG Fundação Dui Hua contesta e coloca o número em mais de 5 mil.
A China modificou seu sistema judiciário em 2004, obrigando que todas as penas de morte fossem revisadas pela Corte Suprema (antes só bastava com a confirmação de tribunais locais), o que causou uma notável queda nessas sentenças.
Embora não existam números oficiais publicados, pois estes são considerados segredo de Estado, a queda, segundo diversas fontes, poderia oscilar entre 20% e 50%.














